quinta-feira, 21 de junho de 2012

Florbela Espanca



Florbela Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa que é uma vila portuguesa. Foi batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca.

Florbela foi filha de Antonia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca. O seu pai era casado com Mariana do Carmo Toscano, que era estéril, e João Maria teve filhos de um caso extraconjugal com Antónia. Nasceu Florbela e três anos depois, nasceu Apeles. João Maria os criou em sua casa e Mariana era madrinha de batismo dos dois. Mas João Maria só reconheceu a paternidade em cartório, 18 anos após a morte de Florbela.


As suas primeiras composições poéticas datam dos anos 1903-1904: o poema "A Vida e a Morte", o soneto em redondilha em homenagem ao irmão Apeles, e um poema escrito por ocasião do aniversário do pai. Em 1907, escreveu o primeiro conto: "Mamã!", e no ano seguinte faleceu sua mãe Antónia, com 29 anos.

Florbela foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário. Aproveitou para requisitar diversos livros na Biblioteca Pública de Évora, e leu obras de Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Garrett.

Em 1913, se casou com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. O casal morou em Redondo. Dois anos depois, instalou-se na casa dos Espanca por dificuldades financeiras. Um ano depois, 1916, volta para Redondo reunindo uma seleção de sua produção poética desde 1915, inaugurando o projeto Trocando Olhares. A coletânea tem 85 poemas e 3 contos que mais tarde, foi ponto de partida para futuras publicações. Suas primeiras tentativas, falharam.

Nesse mesmo período, a poetisa colabora como jornalista em Modas & Bordados em Notícias de Évora e em A Voz Pública. Completou o 11° ano do Curso Complementar de Letras e matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi uma das 14 mulheres entre 347 alunos inscritos.

Um ano mais tarde, Florbela sofre consequências de um aborto involuntário, que lhe afetou ovários e pulmões. Repousou em Quelfes onde apresentou os primeiros sinais sérios de neurose.


Em 1919, sai sua primeira obra, Livro de Mágoas, um livro de sonetos. A tiragem de 200 exemplares, se esgotou rapidamente. Um ano mais tarde, ainda casada, a escritora passa a viver com António José Marques Guimarães.

Em 1925, divorciou-se pela segunda vez. Mas no mesmo ano, ela se casa com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921 e com quem vivia desde 1924. O casamento decorreu em Matosinhos e passaram a morar a partir de 1926.

Em 1927, preparava um volume de contos, O Dominó Preto, publicado apenas em 1982. Neste mesmo ano, Apeles Espanca, seu irmão, falece num acidente de avião. Em homenagem à ele, escreve o conjunto de contos As Máscaras do Destino, publicado em 1931. Sua doença mental agravou-se, e um ano mais tarde da morte do irmão, tentou suicídio pela primeira vez.

Florbela tentou suicídio por duas vezes em Outubro e Novembro de 1930, na véspera da publicação de sua obra-prima, Charneca em Flor. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a poetisa perde a vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa de suicídio, e falece no dia do seu aniversário em 1930 com 36 anos em Matosinhos. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos.

Ela deixa uma carta confidencial e pediu para colocar no seu caixão, os restos do avião pilotado por Apeles. O corpo dela jaz, desde 17 de Maio de 1964, no cemitéiro de Vila Viçosa, onde nasceu.

Florbela Espanca traduziu vários romances e colaborou ao longo de sua vida em revistas e jornais. A temática abordada em suas obras, é principalmente amorosa com solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte.


Somente "Livro de Mágoas" (1919) e "Livro de Sóror Saudade" (1923), foram publicadas em vida da poetisa. Outras como Charneca em Flor (1931) Juvenília (1931) e Reliquiae (1934) saíram após seu falecimento. Toda a obra poética de Florbela foi reunida por Guido Battelli no volume Sonetos Completos em 1934. Em 1978 tinham saído 23 edições do livro. As peças da poetisa foram reconstituídas por Mária Lúcia Dal Farra, que em 1994 editou o texto de Trocando Olhares.

Manuel da Fonseca e Fernando Pessoa foram poetas influenciados por Florbela Espanca.

Florbela também influenciou na música. O grupo musical Trovante musicou o soneto "Ser poeta" incluído no volume Charneca em Flor. A canção "Perdidamente", com música de João Gil, tornou uma das músicas mais populares da banda. O cantor e compositor brasileiro Fagner interpretou o poema "Fanatismo", da coletânea Sóror Saudade, com sua composição do mesmo nome do álbum Traduzir-se (1981).



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